O Alerta da Imprensa e a Luta por Justiça Pós-Separação
O debate sobre a violência vicária ganhou um fôlego crucial nos últimos dias, ocupando espaços de destaque nos maiores veículos de comunicação do país.
3/9/20263 min read


Se na última semana o portal O Tempo já definia essa prática como a "covardia de usar os filhos para atingir a mãe", a edição de ontem (08/03) do jornal O Globo trouxe uma camada ainda mais profunda ao debate, conectando o tema ao Dia Internacional da Mulher e à urgência de uma reforma no olhar do Judiciário.
Vanessa Hacon e o "Mães na Luta" no Cenário Nacional
Em entrevista ao jornal O Globo, a representante do coletivo Mães na Luta, Doutora em Ciências Sociais, Vanessa Hacon, trouxe à tona a realidade de milhares de mulheres que, mesmo após romperem ciclos de violência doméstica, continuam sendo torturadas psicologicamente através de seus filhos.
Vanessa reforça o que defendemos aqui no portal: a lei existe, mas a sua aplicação pelo Poder Judiciário ainda é falha. Como destacado em recentes debates no Senado, a falta de uma perspectiva de gênero nas decisões de guarda e visitas acaba vulnerabilizando não apenas a mulher, mas também as crianças, que se tornam "objetos" de vingança nas mãos do agressor.
Por que a sociedade acorda para isso agora?
A visibilidade dada pela imprensa reflete uma mudança de paradigma. Não se trata mais de "briga de casal", mas de uma forma específica de violência de gênero reconhecida pela Lei Maria da Penha (através da Lei 14.713/2023). A entrevista de Vanessa ao O Globo sublinha que o Estado não pode ser cúmplice dessa violência institucional ao ignorar os sinais de alerta em processos de família.
O termo "violência vicária" deixou de circular apenas nos tribunais e consultórios de psicologia para ocupar as manchetes dos principais veículos de comunicação do país.
Reportagens recentes, como a publicada pelo jornal O Tempo, trazem um alerta urgente: a utilização de filhos como ferramentas de tortura psicológica contra as mães é uma realidade devastadora e, agora, mais visível do que nunca.
O que a mídia está revelando?
A cobertura midiática tem sido essencial para dar nome a algo que muitas mulheres vivem em silêncio. A violência vicária é definida como uma forma de violência doméstica onde o agressor não atinge a mulher diretamente, mas utiliza pessoas que ela ama — prioritariamente os filhos — para causar-lhe sofrimento extremo.
Como bem destacou a imprensa nesta semana, trata-se de uma estratégia de covardia. O agressor entende que ferir a integridade física ou emocional de uma criança é uma forma de manter o controle e o "castigo" sobre a mãe, mesmo após a separação.
Por que falar sobre isso agora?
O aumento do debate na imprensa reflete a necessidade de atualização do nosso sistema de proteção.
Os relatos compartilhados mostram que:
* A violência não encerra no divórcio: Muitas vezes, ela se intensifica através de disputas de guarda e visitas.
* Os filhos são vítimas secundárias, mas diretas: Eles sofrem danos psicológicos profundos ao serem usados como "objetos" de vingança.
* O Judiciário precisa estar atento: Identificar a violência vicária é o primeiro passo para impedir que decisões judiciais facilitem, involuntariamente, o abuso.
Como Identificar a Violência Vicária: Sinais Práticos
Muitas vezes, a mãe sente que algo está errado, mas não consegue nomear a agressão. Com base nas análises de especialistas e nos relatos levados ao Judiciário, aqui estão os sinais mais comuns de que você pode estar sendo vítima de violência vicária.
Ameaças de Subtração: O agressor afirma constantemente que "vai tirar as crianças de você" ou que "você nunca mais as verá" como forma de retaliação.
Interferência na Formação da Criança: O pai utiliza o tempo com os filhos para falar mal da mãe, desautorizá-la ou criar um ambiente de medo e desconfiança na criança contra ela.
Uso da Logística como Tortura: Atrasos propositais na entrega dos filhos, mudanças repentinas de planos ou o uso do momento da entrega para proferir ofensas e monitorar a vida da mulher.
Abandono Seletivo ou Negligência: O agressor deixa de cuidar das necessidades básicas da criança (saúde, alimentação, higiene) durante as visitas, apenas para gerar angústia e estresse na mãe.
Assédio Processual: A abertura de múltiplos processos judiciais infundados sobre a guarda ou bem-estar dos filhos, com o objetivo de exaurir a mulher financeira e emocionalmente.
Interrupção da Comunicação: Impedir que a mãe fale com os filhos por telefone durante o período de visitas, gerando um "apagão" informativo que causa pânico.
O Papel do "Elas na Lei"
A violência vicária é o último refúgio do agressor que perdeu o controle direto sobre a mulher. No elasnalei.com.br, nosso compromisso é traduzir o "juridiquês" e dar voz a especialistas como Vanessa Hacon, garantindo que nenhuma mulher enfrente essa batalha sem a informação necessária.
